Nem sempre escolhemos por quem nos apaixonar. Verdade seja dita.
Apesar de ainda me ver como um adulto em assunção, transeunte do período (estado, fase ou como queiram chamar) da adolescência para adultidade, alguém que ainda tem muito a aprender e viver, já tive a oportunidade de ser arrebatado pelas desventuras do cupido estrábico.
Isso mesmo! CUPIDO ESTRÁBICO! Aquele moleque filho da *#&!, que vez por outra acaba errando os alvos e saindo de mansinho depois que a tragédia está armada. Ou quem sabe não seria obra do atrapalhado Puck, duende que serve Oberon na obra “A Midsummer Night’s Dream” de Shakespeare.
Não vou mentir que se sentir desejado, cuidado e lembrado - sensações entorpecentes – não me faça bem assim como a qualquer ser humano, contudo quando essa investida não é por nós ou pelo outro retribuída, deixa seu rastro de dor e tristeza.
Já foram inúmeras as vezes que me vi enrascado ou posto no lugar do flechado. E vou confessar: Não é fácil! A última flecha então, nem se fala.
Tinha acabado de sair de uma fase down e busquei da pior forma suprir a falta para aquele momento, através do “sexo casual”, a pura e simples troca de contato físico, sem compromisso selado por ambos os lados. Não que eu seja contra ou defensor da causa, apenas não era o caminho certo a trilhar naquele momento e eis, contudo, que a eventualidade me apresentou alguém sensível, interessante e de um olhar penetrante.
Em nosso primeiro encontro consegui a proeza de fazer tudo o que não se deve fazer no antes e no depois (não esperem que eu relate o durante). Pelo menos é o que está na cartilha de alguma reportagem que entrei em contato meses depois e esse ano ao assistir o filme “He’s Just Not That Into You”.
Abri o falatório dos meus problemas, dando uma perspectiva geral e por vezes detalhada da minha vida nos últimos tempos. Hoje ao lembrar da cena não entendo como o encontro não ficou por ali com a pessoa saindo correndo pela porta do restaurante.
E o encontro foi adiante, chegando aos finalmente e por fim nos despedindo como velhos conhecidos. Não esperava que voltássemos a nos ver, felizmente ou não isso aconteceu.
Tomando o filme como referencial, eu fiquei como a personagem de Ginnifer Goodwin (Gigi), a espera do telefonema, de entrar em contato mais uma vez pelo messenger ou quem sabe pessoalmente.
Com o tempo nossas conversas tornaram-se cotidianas, sempre permeadas de insinuações e comentários lascivos. Fomos nos conhecendo aos poucos, afinal tínhamos pulado uma etapa importante. Falávamos de quase tudo, de nossas vidas, filmes, problemas (mais uma vez confesso que pequei no blá blá blá), culminando mais adiante com a interrogação: Iríamos em frente com algo mais sério? Não! Eu era o único interessado em seguir em frente.
Continua…